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FIX 13/Out/2018 - 148 Visualizações

O QUE É ESTRABISMO?


É o desalinhamento dos olhos, onde cada olho aponta para uma direção diferente. Apesar de ser uma doença que acomete aproximadamente em 4% das crianças, pode também surgir na vida adulta. O desvio dos olhos poderá ser fixo e sempre notado ou aparentar ser normal e ter períodos com olhos desviados. O cérebro controla os músculos oculares. Isso explica porque crianças com paralisia cerebral, síndrome de Down, hidrocefalia, tumores e outras doenças neurológicas ou genéticas, com frequência, desenvolvem estrabismos e outras patologias oculares.
Para manter os olhos alinhados e focalizados em um ponto, todos os músculos oculares de cada olho devem estar em perfeito equilíbrio de forças e trabalhando em conjunto com os músculos correspondentes do olho contralateral.
Os olhos são feitos para focalizar uma imagem nítida sobre a retina e transmiti-la ao cérebro. Se ambos os olhos estão fixando o mesmo ponto, a área visual do cérebro pode fundir as duas imagens em uma única imagem tridimensional. Isso cria uma visão de profundidade e uma visão tridimensional.
Quando um dos olhos fica estrábico, duas imagens diferentes são enviadas para o cérebro. Nas crianças de baixa idade, o cérebro aprende a ignorar a imagem do olho desviado, passando a receber somente a imagem do olho não desviado ou de melhor visão. Isso provoca a perda da visão tridimensional. O que é muito sério e preocupante.
Adultos que ficam estrábicos desenvolvem uma diplopia (visão dupla), pois seus cérebros foram estimulados a receber imagens de ambos os olhos, não podendo assim ignorar a imagem do olho desviado e tendo que ser investigado por neurologista e oftalmologista e também atendido prontamente para poder haver tratamento adequado da visão dupla.
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A ambliopia acomete aproximadamente 50% das crianças estrábicas. O cérebro reconhecerá a imagem do olho de melhor visão e ignorará a imagem do olho fraco ou amblíope. Pode ser tratada com a oclusão do olho de melhor visão, com a finalidade de melhorar a visão do olho desviado. Se a ambliopia for detectada nos primeiros anos de vida, o tratamento tem um alto índice de sucesso. Se esse tratamento é iniciado mais tarde, a ambliopia e a baixa visual serão definitivas. Assim, quanto mais cedo a ambliopia for tratada, melhor o resultado visual.  
Entretanto, a exata causa do estrabismo é desconhecida. Sabe-se que é uma doença familiar. No entanto, em vários pacientes não existe uma história familiar positiva. Acomete igualmente homens e mulheres. Se a visão de um dos olhos é acometida devido à catarata ou outra lesão, geralmente o olho se torna estrábico.
Um primeiro sinal é um olho que não fixa objetos à sua frente. Às vezes, algumas crianças fazem olho de mira ou desviam em ambientes claros. Poderão também não ter visão de profundidade. Algumas crianças inclinam ou giram suas cabeças em uma determinada direção, com a finalidade de manter os olhos paralelos.
Com bastante freqüência, os pais têm a falsa impressão de que o problema da criança foi curado espontaneamente. Apesar de o cansaço ou doença poderem piorar o estrabismo, as crianças não se curam espontaneamente. Se há suspeita de que uma criança esteja estrábica, é necessário um exame oftalmológico para determinar sua causa e iniciar o tratamento imediato.
Durante a infância, toda criança deverá ser examinada pelo pediatra ou oftalmologista com a finalidade de detectar qualquer problema ocular, especialmente se um parente próximo é estrábico ou amblíope. Mesmo pais observadores poderão não descobrir o estrabismo sem a ajuda de um oftalmologista.
É muito difícil saber a diferença entre olhos que parecem desviados e um estrabismo verdadeiro.
Crianças menores têm geralmente a ponta do nariz ahatada e uma prega palpebral no canto interno dos olhos, o que costuma esconder o olho no olhar lateral, levando a uma preocupação dos pais sobre se esses olhos são realmente desviados. Um oftalmologista experiente pode rapidamente distinguir esta forma de um estrabismo verdadeiro.
Nunca é tarde para se examinar os olhos de crianças. Felizmente, o oftalmologista pode examinar olhos até mesmo de recém-nascidos. Se o exame ocular é prorrogado até a idade escolar, às vezes será tarde para o tratamento correto do estrabismo e da ambliopia. Ocasionalmente, um olho estrábico poderá ter como causa uma catarata, um tumor intra-ocular ou um tumor cerebral. É muito importante reconhecer estas patologias o quanto antes, pois assim poderão ser tratadas e o estrabismo corrigido.
(FOTO 1)
O objetivo do tratamento é preservar a visão, colocar os olhos paralelos e recuperar a visão binocular. O tratamento do estrabismo depende de sua causa. Poderá ser direcionada para a correção do desequilíbrio de forças musculares, remoção de catarata ou tratamento de outras doenças que possam provocar um desvio ocular.
Em alguns pacientes será necessária a oclusão do olho de melhor visão, com a finalidade de garantir visão igual nos dois olhos. As formas mais comuns de estrabismo são a esotropia, onde os olhos são desviados para dentro, e a exotropia, quando são para fora.
Esotropia é a forma de estrabismo mais comum em crianças. As que nascem com esotropia não aprendem a usar os dois olhos ao mesmo tempo e podem não enxergar bem do olho mais fraco. Na maioria dos casos, é necessária cirurgia precoce para colocar os olhos paralelos, na tentativa de obter visão binocular e prevenir a perda permanente da visão no bebê ou na criança. O objetivo da cirurgia ocular é ajustar a tensão muscular em um ou ambos os olhos, com a finalidade de colocá-los olhando em frente. Por exemplo, na cirurgia para correção da esotropia, os músculos retos mediais são removidos da parede do globo ocular e suturados mais posteriormente, permitindo uma diminuição das forças de tração e levando os olhos para fora. Algumas vezes, os músculos externos (músculos retos laterais) poderão ser reforçados, diminuindo-se o seu tamanho, o que também deslocará os olhos para fora.
Outra forma frequente de esotropia é a que ocorre em crianças após os dois anos de idade e é causada pela necessidade de óculos. Essas crianças são, geralmente, hipermétropes. Elas têm capacidade de focalizar a imagem e corrigir a hipermetropia, o que permite que enxerguem longe e perto. No entanto, algumas crianças entortam os olhos ao tentarem focalizar os objetos. O uso de óculos que corrigem toda a hipermetropia reduz a necessidade desta focalização, mantendo assim os olhos paralelos.
Em algumas crianças, é necessário o uso de óculos bifocais, que reduzirão sua necessidade de focalizar objetos próximos. Ocasionalmente, será necessário o uso de colírio ou lentes especiais, chamadas prismas, para ajudá-las a focalizar nitidamente os objetos. Mais raramente, exercícios oculares (exercícios ortópticos) serão necessários para ajudar as crianças a controlar o desvio ocular.
Exotropia ou desvio divergente dos olhos é outra forma comum de estrabismo. Ocorre mais frequentemente quando a criança está fixando objetos distantes. Pode ocorrer de forma intermitente, especialmente quando a criança está doente, cansada ou relaxada. Os pais poderão notar que um dos olhos desvia-se quando a criança está em ambiente muito claro. Apesar de óculos e prismas diminuírem o desvio divergente, cirurgia é o tratamento mais comum.
O tratamento cirúrgico do estrabismo é seguro e eficaz, mas não substitui o uso dos óculos nem o tratamento da ambliopia. Após a cirurgia, os olhos poderão estar quase, mas não perfeitamente paralelos, apesar da avaliação clínica completa e da boa técnica cirúrgica. Nesses casos, o ajuste final dependerá da coordenação entre o olho e o cérebro.
Um ou ambos os olhos podem ser operados. Crianças são operadas sob anestesia geral, mas, em alguns adultos, a anestesia local pode ser usada. O tempo de recuperação é rápido e o paciente estará em condições de retornar às atividades normais em poucos dias.


IMPORTANTE

Cirurgia precoce é indicada para correção do estrabismo em crianças menores, porque elas podem desenvolver visão normal, assim que os olhos forem alinhados. À medida que a criança cresce, diminuem as chances de conseguir desenvolver visão normal. E mais, o defeito estético causado pelo “olho torto” pode ter um efeito negativo na sua auto-estima. Como em toda cirurgia, existe um pequeno risco de complicação na correção cirúrgica do estrabismo, como: infecção, sangramento, cicatrização exagerada e outras complicações muito raras, que podem causar a perda da visão.
Em alguns casos de estrabismo e num selecionado grupo de pacientes, a aplicação intramuscular de toxina botulínica tipo A provoca uma paralisia temporária do músculo onde foi feita a aplicação e diminui o tamanho do desvio, podendo ser necessário mais de uma aplicação para a correção desses casos.
O tratamento do estrabismo é tão mais eficaz quanto mais cedo for instituído. À medida que a criança cresce, torna-se mais difícil tratar o estrabismo e restabelecer a visão binocular, mas a correção estética é possível ser feita em qualquer idade. Não existe maneira de prevenir o estrabismo, mas olhos desviados sempre podem ser tratados e a perda de visão pela ambliopia pode ser prevenida se o tratamento for feito precocemente.
Se você tiver mais perguntas ou quiser maiores informações sobre estrabismo ou ambliopia, consulte seu oftalmologista.


Dra. Ursula M. Zarpellon
CRM 17.456-PR | RQE 11.665

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